CARTOGRAFIAS ORAIS NA AMAZÔNIA E NO MARAJÓ: PESQUISA DE CAMPO, METODOLOGIAS E SEMIÓTICAS CULTURAIS", ministrado pelos professores Luiz Guilherme dos Santos e Danieli dos Santos Pimentel, teve como objetivo fazer uma cartografia dos mitos e lendas da região do Salgado (município de Colares) e Marajó (Breves - obra de Dalcídio Jurandir). A base teórica dessas discussões passou pela obra de Martin-Barbero, Jerusa Pires Ferreira, Betty Midlin, entre outros estudiosos da semiótica da cultura e das cartografias orais.
O CINELETRAS tem como proposta central levar o cinema para o contexto universitário e escolar, com o intuito de formar leitores e espectadores que possam, através da sétima arte, refletir criticamente as relações sociais, a cultura, a arte e os desafios do mundo globalizado. O projeto em seu atual modelo tenciona pesquisar a história e a produção cinematográfica nos municípios de Breves (pesquisa já desenvolvida), Portel e Gurupá (novas pesquisas).
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
UM POEMA PARA SANTANA - JERUSA PIRES FERREIRA
| Breviário do grande barco que acaba de varar o estreito vencer a morte clarear a noite em Breves de Marajó o giro de um outro este tão pequeno no entorno escreve partes do nome da cidade santa Jerusalém traça um esboço um destino homem e mulher sob a lua jesuítas e índios negros caboclos e todos Ao leu dos perigos tantos barcos a passar buscavam no escuro orações-fortes breves resumos amuletos por isso a cidade festejada antigo engenho dos irmãos e o nome que a eterniza em seu aflito pedido de proteção que ela sobreviva aos decibéis aturdidores e a tantas cobiças |
In Sete cromos para Breves; plaquete produzida por Giordanus com o apoio de Ateliê Editorial, em tiragem de 100 exemplares. Primavera de 2010, São Paulo.
Foto: Luiz Guilherme dos Santos (Festa de Santana 2011 - Breves/Marajó.
O V ECLEB ocorreu com as bênçãos de Santana, Padroeira de Breves.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
DALCÍDIO JURANDIR: TRAVESSIAS DE UM CARTÓGRAFO DO MARAJÓ
“Era a ilha que se atravessava no meio da luta entre o Atlântico e o Amazonas para que os dois rivais fizessem as pazes, deixando-a estirar vagarosamente as suas terras. Mal nascendo nos charcos de Breves, madura nos tesos de Ponta de Pedras e no barranco de Joanes, desenhando os campos de Cachoeira, as dunas de Soure, inchada de mondongos, Marajó que lhe parecia de lodo e aninga, búfalos, cemitérios, indígenas e bandos de aves pernaltas dominando a encharcada paisagem”.
(Três Casa e Um Rio – Dalcídio Jurandir)
segunda-feira, 18 de julho de 2011
segunda-feira, 16 de maio de 2011
“V ENCONTRO DO CURSO DE LETRAS EM BREVES” (ECLEB) (de 27 a 29 de julho)
APRESENTAÇÃO
A Faculdade de Letras da Universidade Federal do Pará do Município de Breves/Marajó está organizando “V ENCONTRO DO CURSO DE LETRAS EM BREVES” (ECLEB-2011). O tema deste ano de 2011 é “MARGENS E FRONTEIRAS IDENTITÁRIAS DO MARAJÓ”: INTERCÂMBIOS CULTURAIS, MÚLTIPLOS SABERES E PRÁTICAS EDUCATIVAS PARA A FORMAÇÃO DO EDUCADOR EM LÍNGUA, ARTE E LITERATURA. O evento foi criado, primeiramente para agregar os alunos do curso de Letras do município de Breves. Posteriormente, o evento se ampliou na busca de um diálogo transdisciplinar com outros cursos (Pedagogia, Matemática, Serviço Social, Ciências Naturais), além de ir ao encontro de um público ligado às escolas públicas (professores e alunos). Nesse quinto encontro, o tema escolhido abrange, sobretudo, os saberes, as práticas e intercâmbios culturais pensados e produzidos no Arquipélago do Marajó (em caráter tradicional e audio-visual), cujos benefícios estão ligados a construção de alternativas para se [re]pensar as metodologias e estratégias de ensino de língua, de literatura e das artes.
O “V ENCONTRO DO CURSO DE LETRAS EM BREVES” tenciona, principalmente, criar uma ampla discussão sobre a importância da cultura marajoara nos contextos acadêmico, social e escolar. Desse modo, priorizam-se os temas que constituem os saberes e práticas culturais dos diversos espaços ribeirinhos do Arquipélago do Marajó. Nessa perspectiva, entram em discussão as seguintes questões: identidade cultural, hibridismo, cartografias, alteridade, transculturalidade, multiculturalismo, saberes tradicionais, processos comunicativos e tradição oral.
O V ECLEB procura contribuir para a formação docente e discente, com o intuito de refletir, problematizar e repensar a cultura e os saberes nos espaços que são colocados à margem dos processos de educação em Escolas públicas e Universidades.
COMISSÃO
DOCENTE ORGANIZADORA
Prof. Msc. Luiz Guilherme dos Santos Júnior
Prof. Esp. Elson de Menezes
Profª Msc. Maria Domingas Ferreira
TURMA ORGANIZADORA: LETRAS 2008
terça-feira, 24 de agosto de 2010
DALCÍDIO JURANDIR: DO MARAJÓ PARA O MUNDO
Dalcídio Jurandir nasceu na Vila de Ponta de Pedras, Ilha do Marajó (PA), em 10 de janeiro de 1909, filho de Alfredo Pereira e Margarida Ramos. Em 1910 mudou-se para Vila de Cachoeira, na mesma ilha. Ali passou sua infância, aprendendo com sua mãe as primeiras palavras.
Em 1916, passou a freqüentar a Escola Mista Estadual. Fez o curso primário do Professor Francisco Leão, em 1921. No ano seguinte, partiu para Belém, onde se matriculou no 3º ano elementar do Grupo Escolar Barão do Rio Branco.
Obtém o certificado de estudos primários, em 1924. Matricula-se, no ano seguinte, no Ginásio Paes de Carvalho. Antes de completar o segundo ano, em 1927, cancelou sua matrícula e viajou para o Rio de Janeiro (RJ), a bordo do navio do Loide, Duque de Caxias, em 1928.
No Rio, enfrentou dificuldades ao chegar. Foi lavador de pratos no Café e Restaurante São Silvestre, no bairro da Saúde. Conseguiu, após um breve tempo, o lugar de revisor na revista "Fon-Fon", onde colaborou sem remuneração. Voltou a Belém no mesmo navio, tendo aproveitado a viagem para ler livros de clássicos portugueses e de poetas nacionais, que lhe foram emprestados por seu amigo, Dr. Raynero Maroja.
Em 1929, Dr. Raynero, como Intendente Municipal de Gurupá, no Baixo Amazonas, nomeou-o Secretário Tesoureiro da Intendência Municipal. Segue para Gurupá em outubro. Lá escreveu a primeira versão de "Chove nos campos de Cachoeira".
Em novembro de 1930, deixou o cargo para trabalhar na região das Ilhas, município de Gurupá, às margens do rio Baquiá, de propriedade de Pais Barreto, que se tornara seu amigo e ensinara as primeiras letras a seus dois filhos.
Em 1931, conclui um livro de contos e um romance, nos quais narra lembranças da infância em Marajó. Fez versos e descreveu paisagens. Retornou a Belém, sendo nomeado auxiliar de gabinete da Interventoria do Estado. Colaborou com vários jornais e revistas, como “O Imparcial”, “Crítica” e “Estado do Pará” e, no ano seguinte, na “Guajaramirim” e “A Semana”. Comunista assumido, participou ativamente do movimento da Aliança Nacional Libertadora. Foi preso em 1935, tendo ficado dois meses no cárcere.
Em 1937, foi preso novamente e ficou três meses detido. Somente em 1938 retornou a Marajó, reassumindo suas funções na Diretoria de Educação e Ensino, tendo sido designado a exercer a comissão de Inspetor Escolar em Salvaterra. Reescreve o livro “Chove nos campos de Cachoeira” e, também, concluiu seu segundo romance, “Marinatambalo”, publicado sob o título de Marajó. Colabora nas revistas “Terra Imatura” e “Pará Ilustrado”.
Em 1940, foi agraciado com o Prêmio Dom Casmurro de Literatura, concedido pelo jornal de mesmo nome e pela Editora Vecchi, com o romance "Chove nos Campos de Cachoeira". Faziam parte do júri, entre outros, Oswald de Andrade, Jorge Amado, Rachel de Queiroz e Álvaro Moreira.
Voltou ao Rio de Janeiro, em 1941, onde seu livro premiado foi lançado. Retorna a Belém e passou a trabalhar na Delegacia de Recenseamento. No final do ano viajou para o Rio de Janeiro, onde passou a exercer, em 1942, intensa atividade jornalística em “O Radical” e “Diretrizes”, sendo que neste último atuava como redator, repórter e colunista.
Em 1944, fechado o semanário “Diretrizes”, passou a redigir textos publicitários e legendas para filmes de educação sanitária no Serviço Especial de Saúde Pública – SESP. Colabora com o “Diário de Notícias”, no “Correio da Manhã” e na revista “Leitura”.
Em 1945 e 1946, fez parte da redação do jornal “Tribuna Popular” e colaborou nos jornais “O Jornal”, “A classe operária” e na revista “O Cruzeiro”.
No ano seguinte, seu livro “Marajó” foi editado pela Livraria José Olympio Editora.
Pela "Imprensa Popular", em 1950, foi ao Rio Grande do Sul fazer uma pesquisa acerca do movimento operário do porto do Rio Grande. Desse trabalho surgiu seu livro “Linha do Parque”, escrito entre 1951 e 1955.
Viajou à União Soviética, em 1952.
Foi ao Chile, em 1953, onde participou do Congresso Continental de Cultura.
Em 1956, no seminário “Para Todos”, trabalhou ao lado de Jorge Amado, como redator.
Lança, pela Livraria Martins Editora, seu terceiro romance: “Três casas e um rio”, em 1958.
Publica, em 1959, o romance “Linha do Parque”, pela Editora Vitória.
No ano seguinte, publica “Belém do Grão Pará”, pela Livraria Martins Editora. Recebeu o Prêmio Paula Brito, da Biblioteca do Estado da Guanabara, e o Prêmio Luiz Cláudio de Souza, criado pelo Pen Club do Brasil.
A edição russa do romance “Linha do Parque” é lançada em Moscou no ano de 1962, com apresentação de Jorge Amado.
Publica, em 1963, “Passagem dos inocentes”, pela Livraria Martins Editora.
Termina de escrever “Os habitantes”, em 1967.
Em 1968, lança pela Livraria Martins Editora, “Primeira manhã”, e conclui “Chão de Lobos”, penúltimo romance da série “Extremo-Norte”.
O último romance da série acima citada, “Ribanceira”, é concluído em 1970.
Pela Livraria Martins Editora publica, em 1971, o romance “Ponte do Galo”. Aposentou-se, como escritor.
Em 1972, a Academia Brasileira de Letras concede ao autor o Prêmio Machado de Assis de Literatura, pelo conjunto de sua obra, que lhe foi entregue por Jorge Amado.
Recebe, em 1974, do Governo do Estado do Pará, o título honorífico de “Honra ao Mérito”.
A segunda edição de seu romance “Chove nos campos de Cachoeira” é lançada em 1976 pela Livraria Editora Cátedra. “Os habitantes” é publicado pela Editora Artenova. Lançou, também, pela Record, o livro “Chão dos lobos”. Fez diversas viagens a nações da América do Sul e a países socialistas e europeus.
“Ribanceira” foi publicado, pela Record, em 1978, e, no ano seguinte, a segunda edição de “Marajó”, pela Cátedra.
No dia 16 de junho de 1979, o escritor falece na cidade do Rio de Janeiro (RJ), sendo sepultado no Cemitério de São João Batista.
A prefeitura de Belém homenageia o autor, dando seu nome a uma praça pública naquela cidade.
O prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Dr. Israel Klabin, dá seu nome a uma rua no Condomínio Riviera dei Fiori, na Barra da Tijuca.
Em Ponta de Pedras, sua cidade natal, há uma escola com seu nome.
Em 2001 concorre com demais personalidades ao título de "Paraense do Século". No mesmo ano, em novembro, é realizado o Colóquio Dalcídio Jurandir, homenagem aos 60 anos da primeira publicação de Chove nos Campos de Cachoeira.
Em 2003, foi criado o Instituto Dalcídio Jurandir, na Casa de Rui Barbosa, na cidade do Rio de Janeiro. O Instituto foi idealizado pelo Professor Ruy Pinto Pereira, que é seu presidente. Na ocasião, todo o acervo do autor foi doado por seus filhos — Margarida e José Roberto — para o Arquivo–Museu de Literatura Brasileira daquela Casa.
Em 2004, Dalcídio foi o patrono da VIII Feira Pan-Amazônica do Livro, ocorrida entre 17 e 26 de setembro daquele ano.
FONTE: http://www.releituras.com/djurandir_menu.asp
O ENCONTRO ENTRE OS PEQUENOS, O RIO E A CANOA
CANOAS
Bem do fundo do rio
por baixo do grande barco
apontam pequenas criaturas
seu olhar de paciência
obstinação enigma
cresce entre nós
um grande medo
de enfrentar
com calma
os que estão sobre o rio
e nem pacote atirado
em plástico eterno-indestrutível
ou moeda prestes a afundar
poderão garantir
o futuro possível
ao som do remo
daquela menina e seu
irmãozinho de pés sujos
In Sete cromos para Breves; plaquete produzida por Giordanus com o apoio de Ateliê Editorial, em tiragem de 100 exemplares. Primavera de 2010, São Paulo.
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